BLOG EM CONTATO

Ansiedade morando fora do Brasil: quando a migração pesa nas emoções

Morar fora pode ser um sonho, uma necessidade ou as duas coisas ao mesmo tempo. E, mesmo quando a decisão foi desejada, é comum que a ansiedade apareça: saudade, solidão, a sensação de não pertencer a lugar nenhum. Esse sofrimento não é fraqueza nem ingratidão. A migração é uma experiência intensa, que mexe com vínculos, identidade e segurança.

Você não está sozinha nessa experiência. Segundo estimativas do Ministério das Relações Exteriores, quase 5 milhões de brasileiros viviam no exterior em 2023, um aumento de cerca de 9% em relação ao ano anterior. Só na Espanha, eram cerca de 162 mil. Apesar dos números, a vivência emocional de quem migra ainda é pouco falada.

Por que a migração pode intensificar a ansiedade

Mudar de país significa, ao mesmo tempo, perder referências e precisar se adaptar a muitas coisas novas. A Organização Mundial da Saúde, no seu relatório mundial sobre a saúde de refugiados e migrantes de 2022, aponta fatores como a falta de apoio familiar e social e a discriminação entre os estressores que podem afetar a saúde mental de quem vive esse processo.

No dia a dia, isso pode aparecer como:

  • Solidão, mesmo cercada de pessoas
  • Sensação de não pertencer, nem ao novo país nem mais ao Brasil
  • Cansaço de estar sempre se adaptando: à língua, aos códigos sociais, à burocracia
  • Culpa por estar longe da família ou por não estar “aproveitando” a experiência
  • Cobrança para dar certo, como se voltar ou sofrer fosse sinal de fracasso

Quando a migração encontra histórias antigas

A migração não acontece num vazio. Ela pode reativar experiências anteriores de separação, de não ser vista ou de precisar dar conta de tudo sozinha. Quem já tinha medo de rejeição, por exemplo, pode senti-lo mais forte num lugar em que ainda não construiu vínculos.

Além disso, o que vivemos não depende só da história individual. Gênero, raça, classe social e a própria condição de migrante atravessam a forma como somos recebidas e as oportunidades que encontramos. Considerar esses aspectos ajuda a não transformar em culpa pessoal um sofrimento que também tem raízes sociais.

A importância de falar na língua materna

Muitas pessoas que vivem fora já tentaram fazer terapia em outro idioma e sentiram que algo se perdia. Faz sentido: as emoções mais antigas foram aprendidas na língua em que crescemos. Falar da própria história em português pode tornar mais fácil acessar o que se sente, encontrar as palavras certas e se sentir compreendida sem precisar traduzir a si mesma.

Como a terapia pode ajudar

Um processo terapêutico pode ser um espaço para elaborar as perdas e ganhos da migração, reconhecer padrões que se intensificaram com a mudança e construir recursos para viver com mais segurança no lugar onde você está agora.

A Nathalia também vive fora do Brasil e trabalha com um olhar que considera a migração e os outros atravessamentos que fazem parte da sua experiência.

Um espaço para falar da sua história sem precisar se traduzir, com quem considera a migração e tudo o que ela mexe como parte do processo. Sessões online, de qualquer país.

Fazer terapia em português, onde você estiver

TERAPIA PARA BRASILEIROS NO EXTERIOR